Sai correndo em um único caminho, vazio e no breu de uma noite na floresta...
Não vê nada, descalça sente as folhas e alguns galhos quebrados espetarem seu pé...
O vestido branco, longo e esvoaçante, se contrasta em meio das cores negras da floresta...
A imensa Lua da madrugada ilumina o que é possível enquanto toca o chão bem no fim do caminho...
A menina continua, quase que cega do presente, sente o vento bater em seu rosto e secar cada gota de suas lágrimas que continuam escorrendo de seus olhos esverdeados...
Corre... Corre...
Para! Então ela para... O caminho chegou ao fim...
Não há mais caminho, só um enorme precipicio... Ela continua em prantos e um tanto assustada com a situação...
Ela anda um pouco para o lado e encara o precipicio como se já o conhecesse... Continua olhando somente para o chão, sem hexitar em olhar para os lados...
Então se senta na ponta do enorme vazio... A ponta mais próxima do outro lado...
Pemanece ali sentada por alguns estantes, de cabeça baixa e com os pés sujos de terra cruzados e pendurados no enorme vão...
Conversa consigo mesma internamente, relembra de várias coisas, pensa em outras várias coisas, vê cenas, lê frases, escuta músicas...
Seus pensamentos estão tão claros e perceptíveis que parecem surgir como desenhos em cima de sua cabeça, bem em cima do buraco da floresta, no alto...
Seu corpo se contrai inteiramente e a mais horrível cena aparece...
A menina se levanta, olha para frente, vira de costas e se lança ao nada...
Dos olhos cai a última lágrima... A tranquilidade mesclada ao sofrimento é vista em seu rosto, seus olhos fechados e o último suspiro de alívio... Abre os braços e se sente livre, liberta e leve... Se sente sendo levada ao seu desagradável destino...
E então levanta a cabeça... Os desenhos somem... As lágrimas param... No rosto estampa-se a fisionomia de uma surpresa...
A Lua! A incrível Lua... Bem na sua frente, amarela, cheia, tocando o outro lado do precipicio...
Ela recolhe seus pés, se apoia nos joelho um tanto machucados, impulciona com as mãos no chão e se levanta... Passa as mãos na parte molhada do rosto e seca no vestido...
Fica ali, parada, com a mesma impressão de antes, surpresa... Nem mais uma cena pode ser vista...
E então a menina fica ereta, seu rosto muda, ela encara a Lua...
Ela vira de costas, fecha os olhos, respira fundo e sente o aroma do lugar...
Se sente um tanto quanto mais leve...
Sai correndo... E para... Vira de frente para a Lua e dispara...
Corre... Não pensa em mais nada, só foca a Lua... Chega no fim da ponta do precipicio e... Salta!
Sente a liberdade, a leveza, o ar, a limpeza, sente toda a pureza, alívio, segurança, natureza e conforto... Não sente mais nada além dela mesma...
Sente os pés na grama e as mãos no chão, abre os olhos, levanta a cabeça...
Lança um olhar sarcástico e ironicamente sorri para a Lua que ilumina um enorme e perfeito campo verde...
Corre...
sábado, 10 de setembro de 2011
Corre...
Postado por Luíza às 23:10
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário