sábado, 12 de abril de 2014

A corrente vazia.

Entre 3 paredes num lugar escuro, sentada... Sem teto, com chão. As costas e a cabeça apoiadas no concreto frio... Os braços largados... Falta uma parede. Olho para frente e vejo um campo, as árvores ao redor, um pouco de água ao fundo, colinas... A lua. O céu estrelado com algumas nuvens cinzas, o luar, que me deixa ver... Pouco. Sinto o frio bater em mim lentamente. Arrasto lentamente os pés no chão crespo. Dobro os joelhos. Fecho os olhos e tento respirar... Ainda sufocada... Ainda. Inclino a cabeça e olho para o papel ao meu lado, pego a caneta... Arrasto o papel para perto de mim... Apenas olho para o papel. Arrasto a mão para escrever... Você me vem na mente e rapidamente fecho os olhos... Não quero lembrar... Dói. O vento... Frio, gelado... Busco ar e abro os olhos... Olho a lua. Você volta para mente novamente. Olho para frente... Não vejo nada, não dessa vez... Apenas sinto, apenas lembro, apenas relembro... Me cego. O vento... Gelado... Dói... A água ao fundo, e ao rosto... Olho para o papel... Posiciono a caneta, será pra você, por você, de você... Movo minha mão e paro. Não consigo! A corrente não deixa... Não consigo! Não consigo! O vento... Vazio e gelado... Solto a caneta, olho para a parede que não está ali... Fecho os olhos e fico. Apenas fico. O vento. A corrente pesada... O vazio e o você.

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