Noite anterior...
Não se preocupe, quando tudo terminar basta você acreditar que eu estarei do seu lado segurando sua mão, fica tranquilo... Eu sei que você não liga, mas... Eu te amo.
Na madrugada anterior...
Pegou a mochila, tirou todo o material escolar, colocou roupas, documento, dinheiro, celular, fone, chave, relógio, fechou o zíper e foi dormir...
Na manhã do dia...
Acordou cedo, fingiu entrar na escola, saiu e caminhou até o ponto de ônibus, foi para a rodoviária, comprou a passagem, andou até a plataforma, entrou no ônibus, sentou perto da janela, agarrou a mochila e colocou o fone... Dormiu...
Final da manhã...
-Mãe? Já fez uma loucura? Não se assuste mãe, estou bem, mas estou num ônibus... Não mãe, fique calma... Deixa eu... Deixa eu explicar?! Estou indo atrás do que me importa no momento, fique tranquila, amanhã de manhã estarei aí, prometo! Não se preocupe, eu te ligarei a todo momento e você pode fazer o mesmo... Confie em mim. Também te amo. Beijo.
Quase chegando...
Pega o celular, olha na agenda, lá estava o nome da mãe... Liga...
-Oi, tudo bom? Você não me conhece, mas você é a criadora do meu coração, estou vindo de outra cidade pois preciso ver ele... É eu sei... Eu sei... Você poderia me passar o endereço? Sim, sim... Não! Eu pego um taxi... Muito obrigada. Até mais.
Começo de tarde...
Chega na rodoviária, desce do ônibus, respira fundo e sente um cheiro de cidade de praia, põem a mochila nas costas e caminha em direção da saída... Chama um taxi.
- Eu preciso ir neste aqui...
De tarde...
-Obrigada... Aqui tá o dinheiro... Não, não... Está tudo bem, obrigada.
Entra, vai na recepção, antes que perguntasse olha para o lado e percebe uma pessoa com um ar de dúvida...
-Você é... Sim! Sou eu! O prazer é meu... Não, não, tudo tranquilo, foi tudo bem... Como ele tá? Como foi? Posso ver ele?
Entra no elevador, sobe, totalmente ansiosa, esperando todos os malditos andares que parecem infinitos, mal escuta o que a mãe está dizendo...
-Finalmente... Não! Espera! Preciso respirar fundo antes de entrar aí, nunca mais serei a mesma... Pode ir... Já vou...
Poucos minutos para o fim da tarde...
Abre a porta devagar, vê ele deitado, perna branca, levantada...
-Ele não acordou ainda? Ok... Não... Tá tudo bem.
Põem a mochila no canto, mal percebe os outros familiares, se aproxima, e puxa uma cadeira do lado dele... Senta e segura a mão dele...
Fim de tarde...
Ela observa eles abrir os olhos... Segura sua mão devagar, não quer assusta-lo...
-Oi... Como você se sente? Eu disse que bastava você acreditar que eu estaria segurando sua mão...
Abraça ele devagar...
Começo de noite...
-Bom, eu não pude evitar de escutar vocês, eu não tenho onde ficar, eu adoraria dormir aqui, mas se vocês entrarem em um acordo eu procuro um hotel qualquer, sem problemas... Claro que gostaria! Eu não sei o que ele acha... Não, não, sem problemas mesmo... Eu fico!
Noite...
Ela olha pra ele, sorri, senta na cadeira e fica olhando ele... Ele chama ela... Ela da a volta e deita com cuidado do lado oposto da perna... Abraça ele e encosta a cabeça no peito dele...
-Seu coração...
Manhã seguinte...
A enfermeira abre a porta, olha a cena, ela acorda e pede desculpas, sai devagar, olha no relógio, se troca, se aproxima dele que dorme profundamente por causa dos remédios... Dá um beijo na testa e diz baixinho um adeus...
Pega a mochila, entra no elevador chorando... Chama o taxi, chega na rodoviária, compra passagem, volta para casa, pega um ônibus, volta para a escola, vê sua mãe, volta para casa...
Toma um banho, liga no celular da mãe e pede para falar com ele...
-Basta você acreditar...
domingo, 27 de janeiro de 2013
Basta você acreditar...
Postado por Luíza às 00:38
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