quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A rua das pedras

Andou, andou, andou, por horas andou, sentiu a dor em seus pés, as bolhas em seu calcanhar, continuou...
Rua cinzenta que parecia o reflexo do céu, céu que estava prestes a desabar em forma de chuva.
Choveu. Do céu, dos olhos.
Seu rosto molhado, seus olhos secos, seu cabelo escorrido de chuva, continuava a caminhada.
A vista embaçava, a fraqueza vinha e ela apenas continuava.
Buzinas, faróis, lampadas, estrelas, sol, pessoas, perguntas... Silêncio, foto, caminhada.
As noites frias batiam em sua alma fazendo lembrar de todo o calor que faltava dentro das pessoas, o sol a esquentava para lembrar no inferno que morava, as ruas ralavam para lembrar das suas escolhas, a dor fazia ela continuar andando.
O último sol nasce e a luz ilumina o mar de concreto e o salgado das águas do litoral.
Se arrasta sobre as ruas de pedra, lembra da última imagem que tinha visto no lugar que costumava chamar de lar, conta cada paralelepípedo suporte de seus passos.
Bate na porta... Cai de joelhos... Olha a porta se abrindo e então vê em seus últimos segundos, a imagem que estava em suas mãos tornando-se real...Deita... Respira... Fecha os olhos... Sente-se erguida e diz...
Eu... am...
Morre.

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