Sentada no chão, no escuro da sala sem janelas, abriu com toda força e raiva que poderia o enorme vazio escuro. Suas mãos arrancavam todas as peças avermelhadas de dentro. Puxou sem parar, algumas enroscadas... Vomitava.
Colocava a mão de novo e sentia as rachaduras e espinhos cortando suas mãos. Continuava.
Fechava os olhos e inclinava a cabeça para trás apoiando na parede, pensava o porque tinha deixado tudo chegar a esse ponto. A cada rachadura que sentia e cada corte que sangrava lembrava de toda a dor que tinha guardado.
Respirava fundo e continuava, puxava todas as linhas que mantiam os buracos mais profundos fechados, as linhas cortavam seus dedos e por vezes as peças que voavam entravam de baixo de suas unhas.
As lagrimas não paravam, a dor aumentava e dos gritos não se ouvia nada.
Esvaziou tudo.
No meio do vazio segurou a única coisa que a restava, uma corda, branca, no meio do enorme vão. Enrolou em seu pulso, segurou a corda e puxou para baixo com toda a raiva.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
ESCUTOU O GRITO MAIS ALTO QUE JÁ HAVIA DADO!!!!!!
Um enorme nó tinha acabado de sair de sua garganta e no vazio de seu peito algo havia caído... Chamava-se coração.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Corda
Postado por Luíza às 00:26
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